quarta-feira, 8 de julho de 2009
Minério
Meu amor não é animal,
É mineral.
Desaparece no tempo,
Lento e solitário.
Minério,
Mergulha no rio do sangue:
Imerso,
Imenso e alucinado.
No lado escuro da lua.
Pérola na noite da concha.
Calado atravessa o tempo.
Calendários caem no lixo
E ele segue inalterado.
Como uma pedra rolando,
Meteoro abandonado.
Trem bala sem passageiro
Ou metrô desabitado.
Submarino, secreto.
Adormecido naufrágio
Que emerge como relâmpago.
A consciência: uma praia.
Algum som o trouxe à tona.
Algum gesto, riso, cheiro...
Algum sonho já sonhado.
s/d.
É mineral.
Desaparece no tempo,
Lento e solitário.
Minério,
Mergulha no rio do sangue:
Imerso,
Imenso e alucinado.
No lado escuro da lua.
Pérola na noite da concha.
Calado atravessa o tempo.
Calendários caem no lixo
E ele segue inalterado.
Como uma pedra rolando,
Meteoro abandonado.
Trem bala sem passageiro
Ou metrô desabitado.
Submarino, secreto.
Adormecido naufrágio
Que emerge como relâmpago.
A consciência: uma praia.
Algum som o trouxe à tona.
Algum gesto, riso, cheiro...
Algum sonho já sonhado.
s/d.
quinta-feira, 2 de julho de 2009
Balada Beat

Agora eu ando pelas ruas de um Gonzaga imaginário.
Volto a não ter nada como nas antigas madrugadas
Apaixonadas, em que caminhava protegido
Por um velho guarda chuva e por coturnos
Um número maior do que meus pés.
Pela alameda que ladeava o canal
Deserto e molhado, em pleno mal secreto.
Procurava alguma coisa dentro de mim, não fora
E caminhar era só um eco da batida do meu jovem coração.
Ia até a praia escura sem lua e sem a luz nojenta
Que o medo e a cretinice fizeram os prefeitinhos instalar.
Medo dos assaltos e das fodas que quebravam a rotina à beira-mar.
Andava até onde as ondas começavam a invadir a amurada,
Minha passarela úmida, e lá parava olhando o longo mar.
Ouvindo seu barulho que apagava o som dos carros
Que cruzavam a avenida àquela hora.
Às vezes ouvia um Bob Dylan, antes de partir
Nas baladas solitárias, Lay Lady Lay, levava
No espírito esse estado de poesia.
Depois dava às costas para o mar com suas ondas que saíam do nada
E vinham brilhantes, roubando qualquer luz que pudessem no caminho,
Para se acabar na areia escura. De cócoras, sob a sombra do enorme
Guarda-chuva de meu pai, mesclava-me na noite molhada,
Escondia-me como um caramujo em sua casca,
Protegido de qualquer olhar,
No esconderijo de sombra que inventei.
Abrigado, espiando a luz dos prédios altos, rodopiava
Sempre de cócoras, sobre a base sólida dos coturnos militares,
Meu pedestal no qual, eu, estátua camuflada,
Espionava o mundo adulto, o mar escuro.
Sempre este antigo prazer que me acompanhou a vida toda
O de poder, estrategicamente, ver sem ser visto: sentinela de mim mesmo.
Depois voltava, lentamente pelo caminho das alamedas iluminadas
Vendo as antigas, enormes e lindas árvores
Refletidas nas águas lodosas do canal.
Andava então por ruas transversais, circundava quarteirões, e voltava
Sempre e cada vez à linha mestra, rota, rua,
Canal e trilho do meu louco e desatinado trem.
Depois parava embaixo do prédio onde no alto uma menina
Fútil e linda, por quem eu era loucamente apaixonado, dormia há horas.
Lá embaixo olhava, olhava muito tempo para cima,
Para o inalcançável amor. Depois partia
Ansiando que outro dia rapidamente chegasse e eu
Pudesse ir vê-la nos locais que freqüentava
E me esnobava. Eu nada sabia do desejo que me arrastava pela
Coleira, que todo apaixonado usa, como um cão.
E continuava a andar por horas sem nada entender do que se passava comigo,
Nem quem eu era,
Porque havia perdido o controle de mim mesmo.
E nunca antes a fronteira adolescência e idade adulta
Foram tão difusas e confusas.
Agora eu ando por um Gonzaga imaginário
Mais uma vez absolutamente solitário,
Rodado como um velho táxi onde amigos incríveis viajaram,
Onde namoradas e malucas malharam, fumaram e gozaram
Como buzinas no rush do planeta.
Levo no porta luvas, todos os mapas que nunca abri
E todos os livros de poesia que li, reli e elegi.
E o meu rádio irradia a melhor música:
Meu pão, meu pau, meu sal.
Na lataria de baixa qualidade, musgos e marcas
De pequenas maldades, alegrias,
Deselegâncias, insights fulminantes, alergias.
Agora se misturam em meus olhos multifocais
Os locais que existem e os que não existem mais.
Ando à toa, sem buscar nada, nenhum prédio
Que esconda a sensação terrível e inesquecível da paixão.
Vou levado por um velho e calejado coração
Que vadia calmamente sem dono,
Novamente como um cão,
Sem eira nem beira,
Nem coleira.
junho 2003.
sexta-feira, 5 de junho de 2009
Poemas que Fugiram da Gaveta
No início dos anos oitenta com mais dois amigos pretendi publicar um pequeno livro de poesias. O eterno problema não deixou que a intenção se concretizasse: quando um tinha grana os outros não, e assim sucessivamente. Talvez a vontade não fosse tanta, o fato é que a idéia de publicar foi posta de lado.
Mas eis que agora os poemas se rebelam, fogem da gaveta, o escuro túmulo da palavra.
Ganham o mundo na versão virtual, muito mais prática, pois se o leitor quiser imprimi-los é só apertar um botão. Querendo dividi-los com um amigo é só “Encaminhar Para” e no triste caso de acharem que a gaveta deveria estar é trancada à chave, a tecla Del estará sempre à disposição.
A versão virtual torna o ato de desfazer-se de um livro muito mais civilizado e polido do que defenestrá-lo, atirá-lo na lata do lixo (motivo pelo qual algumas tranqueiras permanecem ocupando lugar em nossas estantes para sempre).
Outra vantagem é que diversamente do impresso não precisa ser considerado pronto, terminado. Pode modificar-se ganhando novos poemas, talvez uma capa, mesmo já estando na rua, nas telas.
Gostaria de poder remetê-los para serem ouvidos. Creio que os poemas em sua grande maioria foram escritos para serem lidos em voz alta. Devem soar. Com a exceção dos absolutamente gráficos é sobre o alicerce da voz é que a poesia ganha vida. Além do que, alguns timbres são tão gostosos aos sentidos como os de um saxofone ou violoncelo.
O ritmo, (filho ou pai do Tempo?) sempre foi umas das minhas obsessões. Meu relógio de pulso é um metrônomo.
Aqui estão reunidos poemas bissextos escritos desde os anos 70, como Paloma Hermana, nascido em Sampa, até Balada Beat de 2003, quando.no quintal da Mata Atlântica, saio pelas madrugadas viajando pelo mundo através da net, mas vou sempre parar é na casa dos amigos, meu abrigo.
Para eles estes poemas são dedicados.
Mas eis que agora os poemas se rebelam, fogem da gaveta, o escuro túmulo da palavra.
Ganham o mundo na versão virtual, muito mais prática, pois se o leitor quiser imprimi-los é só apertar um botão. Querendo dividi-los com um amigo é só “Encaminhar Para” e no triste caso de acharem que a gaveta deveria estar é trancada à chave, a tecla Del estará sempre à disposição.
A versão virtual torna o ato de desfazer-se de um livro muito mais civilizado e polido do que defenestrá-lo, atirá-lo na lata do lixo (motivo pelo qual algumas tranqueiras permanecem ocupando lugar em nossas estantes para sempre).
Outra vantagem é que diversamente do impresso não precisa ser considerado pronto, terminado. Pode modificar-se ganhando novos poemas, talvez uma capa, mesmo já estando na rua, nas telas.
Gostaria de poder remetê-los para serem ouvidos. Creio que os poemas em sua grande maioria foram escritos para serem lidos em voz alta. Devem soar. Com a exceção dos absolutamente gráficos é sobre o alicerce da voz é que a poesia ganha vida. Além do que, alguns timbres são tão gostosos aos sentidos como os de um saxofone ou violoncelo.
O ritmo, (filho ou pai do Tempo?) sempre foi umas das minhas obsessões. Meu relógio de pulso é um metrônomo.
Aqui estão reunidos poemas bissextos escritos desde os anos 70, como Paloma Hermana, nascido em Sampa, até Balada Beat de 2003, quando.no quintal da Mata Atlântica, saio pelas madrugadas viajando pelo mundo através da net, mas vou sempre parar é na casa dos amigos, meu abrigo.
Para eles estes poemas são dedicados.
sábado, 23 de maio de 2009
O Meu Aleph
para Borges
Vi o interior das conchas,
Que forravam praias inteiras,
No litoral paulista.
Vi os instrumentos de tortura,
Tão inúteis na arte de eliminar idéias.
Também vi os instrumentos musicais
Das aldeias ainda não descobertas
No coração da selva amazônica.
Vi suas festas, sua repugnante comida
E as tintas tão belas com que se transformam
Em seres mais coloridos do que os pássaros.
Vi todos os pássaros.
Vi as celas dos homens
Que atravessam a vida em plena ascese.
Os iogues perfeitos em samadhi.
Vi os Budas e os bordéis.
Todas as acrobacias sexuais,
Todas as lascívias.
Vi a maquiagem pesada daquelas mulheres,
Seu falso orgasmo
E sua incurável solidão.
Vi dois adolescentes transfigurados pelo amor.
Vi um peso raro de cristal,
Rolar de uma antiga escrivaninha,
Para no chão se espatifar em centenas de fragmentos,
Como uma estrela explodindo.
Rosebud!
Vi Cidadão Kane e todos os filmes.
Vi a surpresa dos que nascem
E dos que morrem bruscamente.
Vi sua lenta decomposição até o nada.
Vi o sol que são os olhos das pálidas parturientes.
Vi vergonha, estupros e dor
Disseminados pelo mundo.
Vi todos os bailes do planeta.
Todos os músculos do corpo expandindo-se
Nos esportes.
Vi a secretíssima biblioteca do Vaticano.
Vi os abrigos antinucleares.
Os desertos e suas serpentes.
A alegria dos que chegam ao oásis.
A lua sobre o caravanserai.
Vi um preso que há dias da execução
Sorria em seu sonho, na prisão.
Vi os escritores atravessando madrugadas,
Febris, em seu ofício solitário.
Vi mulheres magníficas.
Pérolas. Venenos que fulminam
Sem deixar seu traço.
Vi o universo absurdo dos insetos.
Ursos polares. Águias.
Panteras escondidas na folhagem.
Vi meu filho e o filho de meu filho
Enfeitando a minha lápide
Com uma flor vermelha.
Depois não vi mais nada.
s/d.
Vi o interior das conchas,
Que forravam praias inteiras,
No litoral paulista.
Vi os instrumentos de tortura,
Tão inúteis na arte de eliminar idéias.
Também vi os instrumentos musicais
Das aldeias ainda não descobertas
No coração da selva amazônica.
Vi suas festas, sua repugnante comida
E as tintas tão belas com que se transformam
Em seres mais coloridos do que os pássaros.
Vi todos os pássaros.
Vi as celas dos homens
Que atravessam a vida em plena ascese.
Os iogues perfeitos em samadhi.
Vi os Budas e os bordéis.
Todas as acrobacias sexuais,
Todas as lascívias.
Vi a maquiagem pesada daquelas mulheres,
Seu falso orgasmo
E sua incurável solidão.
Vi dois adolescentes transfigurados pelo amor.
Vi um peso raro de cristal,
Rolar de uma antiga escrivaninha,
Para no chão se espatifar em centenas de fragmentos,
Como uma estrela explodindo.
Rosebud!
Vi Cidadão Kane e todos os filmes.
Vi a surpresa dos que nascem
E dos que morrem bruscamente.
Vi sua lenta decomposição até o nada.
Vi o sol que são os olhos das pálidas parturientes.
Vi vergonha, estupros e dor
Disseminados pelo mundo.
Vi todos os bailes do planeta.
Todos os músculos do corpo expandindo-se
Nos esportes.
Vi a secretíssima biblioteca do Vaticano.
Vi os abrigos antinucleares.
Os desertos e suas serpentes.
A alegria dos que chegam ao oásis.
A lua sobre o caravanserai.
Vi um preso que há dias da execução
Sorria em seu sonho, na prisão.
Vi os escritores atravessando madrugadas,
Febris, em seu ofício solitário.
Vi mulheres magníficas.
Pérolas. Venenos que fulminam
Sem deixar seu traço.
Vi o universo absurdo dos insetos.
Ursos polares. Águias.
Panteras escondidas na folhagem.
Vi meu filho e o filho de meu filho
Enfeitando a minha lápide
Com uma flor vermelha.
Depois não vi mais nada.
s/d.
quinta-feira, 21 de maio de 2009
Chat S.M
Nos encontramos em um lugar escuro,
E entre nossa curiosidade e ânsia,
Havia um muro
De desconhecimento e desconfiança.
Era uma espécie de inferno
Aquela sala
Onde queimavam
Falas, falos,
Parceiros incompletos.
Na cegueira que a todos atingia
As imagens sensuais, infames
E perversas, prosseguiam
Como um cachorro louco
Servindo de guia.
As mentiras eram
Iscas vivas
Em um tanque onde
As águas turvas
Escondiam na merda e creolina,
Possíveis turmalinas.
Onde mulheres velhas se passavam por meninas.
Onde impotentes se faziam garanhões.
Através da longa madrugada,
Nos dedos atolados no teclado,
O tato ausente,
Solidão.
Na tela hipnotizante e clara,
A cela rara
Onde os desejos latiam enjaulados,
Na ilusão do lado a lado,
De acabar a besta busca,
Achar um porto na alegria,
Saciar a fome louca
Que nunca se sacia.
2001.
E entre nossa curiosidade e ânsia,
Havia um muro
De desconhecimento e desconfiança.
Era uma espécie de inferno
Aquela sala
Onde queimavam
Falas, falos,
Parceiros incompletos.
Na cegueira que a todos atingia
As imagens sensuais, infames
E perversas, prosseguiam
Como um cachorro louco
Servindo de guia.
As mentiras eram
Iscas vivas
Em um tanque onde
As águas turvas
Escondiam na merda e creolina,
Possíveis turmalinas.
Onde mulheres velhas se passavam por meninas.
Onde impotentes se faziam garanhões.
Através da longa madrugada,
Nos dedos atolados no teclado,
O tato ausente,
Solidão.
Na tela hipnotizante e clara,
A cela rara
Onde os desejos latiam enjaulados,
Na ilusão do lado a lado,
De acabar a besta busca,
Achar um porto na alegria,
Saciar a fome louca
Que nunca se sacia.
2001.
domingo, 18 de maio de 2008
Novas Moradoras
quarta-feira, 14 de maio de 2008
Diana Krall, Em Meus Olhos.

Acho uma delícia ter feitas por mim as fotos dos músicos que durante anos alegraram minha vida. É como se isso me unisse ainda mais a eles. Ou talvez seja só viagem de fotógrafo.
Diana Krall, é uma dessas divas que não me canso de ouvir e sempre com o mesmo prazer.
Sobre fotografar músicos, natureza, arquitetura, foi o que falei com Chico Marques no "Blues em Dose Dupla", que vai ao ar todas as segundas-feiras às 20:00h na Rádio Litoral F.M (http://www.litoral.fm.br/)
Nesta segunda fui seu convidado em um ótimo programa onde prestou homenagem ao fabuloso John Mayall que se está completando 75 anos e se apresentará este sábado em São Paulo.
Eu e Chico somos super fãs do velho bluseiro.
Quem perder o show ou qualquer programa de Chico Marques daqui por diante, fica sujeito às cinqüenta chibatadas de praxe.
Pepézinhos & Steinway

Não é justo que só os leitores do falecido blog "Só Aborrecimento" tivessem o direito de apreciar essa imagem.
Agora reparando a falha, apresento para os leitores do Impressões Digitais os pézinhos de Diana Krall.
Chiquinho Marques encerrou seu programa Blues em Dose Dupla, desta segunda - feira, perguntando-me a respeito dessa foto.
Contei para os ouvintes da Rádio Litoral que não registrar os pézinhos da Diva, em seu habitat natural: A pedaleira de seu inseparável Steinway, seria muita insensibilidade de minha parte.
quinta-feira, 8 de maio de 2008
Festa Nacional do Indio - Bertioga

Em abril a Festa Nacional do Indio realizada anualmente já em sua oitava edição aconteceu novamente em Bertioga.
Fui pela primeira vez no domingo, último dia.
Fiquei muito arrependido. No ano que vem estarei lá TODOS OS DIAS.
Sensacional. É um arraso a beleza da arte plumária, pintura corporal, artesanato.
Chiques demais os índios brasileiros.
Não sei como a Vogue não faz um ensaio com as mulheres indígenas.
Demorou...
Não vou entrar aqui nos méritos sociais, antropológicos e o cacete a quatro. Muita gente boa fala e escreve profundamente sobre o tema.
Ontem mesmo a notícia no Brasil e no mundo era o conflito armado, com invasões, tiros, feridos, no Pará.
Demarcação de terras, com toda a complexidade da questão.
Mas quero deixar um espaço para o puro deslumbramento do olhar.
Olhar sem toda a carga de informação que muitas vezes cega.
Olhar de encantamento como o das crianças vendo algo muito legal pela primeira vez.
Que gente bonita!
Que legal me saber também um pouco índio, nessa salada geral que é o nosso DNA brasileiro.
Na imagem acima um Bororó, tribo da região da Bahia.
Sugiro que procurem em site de busca mais sobre esse evento.
segunda-feira, 5 de maio de 2008
Ressuscitou!

O blog estava hibernando e voltou com essa imagem da Prainha, ou Praia de Santa Tereza em Ilhabela onde passei doze dias trabalhando entre fevereiro e março passados.
O blog havia sido deixado de lado pois eu não agüentava mais postar com conexão discada.
Em minha antiga casa no sertão as taxas de minha linha telefônica eram o que qualquer um pagaria em S.Paulo, mas o serviço oferecido era um verdadeiro lixo. Não havia speedy disponível. Isso em um bairro que é um dos principais destinos da elite paulistana nas praias: Camburi.
Pode? A Telefônica pode tudo.
Depois de três anos sofrendo com uma conexão que demora horas, literalmente para abrir algumas páginas, e dias para mandar arquivos pesados, finalmente tenho speedy em casa.
Para isso precisei mudar de casa e bairro e perdi minha linha que já estava comigo há anos. Quem muda de número sabe o transtorno que isso representa.
Mas aí vem o lado bom da coisa: Speedy!!!
Estou no século XXI!
E vou dar uma ressuscitada neste abandonado blog, que milagrosamente ainda recebe umas quarenta visitas semanais.
Mudar para melhor é bom demais! A casa é mais legal, Maior, e embora perto dos serviços essenciais, como banco, super mercado, ainda recebe tucanos no quintal, jacus, sanhaços, saíras, beija-flores diversos, enfim, mais passarinhos do que em música do Jobim.
Meu quintal fica vizinho a um corredor ecológico.
Que privilégio!
quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
Cante Para Hoje
A madrugada para quem mora na mata é mais solitária ainda do que quando vemos as luzes das janelas da cidade apagando-se uma a uma conforme as horas passam.
Muitas vezes atravessei a noite lendo ou escrevendo e observando a cidade adormecer até que finalmente só restavam uma ou duas luzinhas em prédios distantes. Era uma sensação engraçada olhar para elas e sentir uma certa cumplicidade com aquelas criaturas que repartiam a insônia e a madrugada comigo.
Mas aqui no sertão, no meio da Mata Atlântica não se sente a presença humana. Somente alguma coruja se manifesta na escuridão absoluta da floresta, os sapos ensaiam seu coro ou algum cão late ao longe.
Em uma madrugada assim, sentei-me para trabalhar algumas imagens. Resolvi escanear antigas fotos de família e restaurá-las digitalmente.
Fones no ouvido e comecei o trabalho ouvindo música.
Com apenas uma fraca luz indireta de um abajur a tela do computador recebe toda concentração.
As imagens de quase um século começaram a surgir ampliadas, bem maiores do que em sua cópia no papel amarelado.
Fotos da década de vinte.
Bisavôs mais novos do eu estou agora,me sorriam. Avós mocinhas, enamoradas no início de seus casamentos. Tias de que só me recordo já idosas, primas que nunca conheci. Amigos da casa, todos desaparecidos no passado.
Os traços da família passeando nos narizes, nos sorrisos, nas bocas e olhares até chegarem a meus pais a mim e minhas irmãs.
Uma vez quando tinha uns dezoito anos comecei a folhear um álbum de retratos e tive um sentimento tão forte que pensei que quando fosse idoso não poderia mais olhar fotografias pois não suportaria a emoção.
Não sonhava ainda em me tornar fotógrafo, mas nessa madrugada recente em total solidão e concentração, frente a frente com aqueles rostos todos iluminados por uma luz prisioneira de um tempo irremediavelmente perdido e no entanto vivo, senti uma emoção parecida com a de meus dezoito anos.
Um pic-nic em Bertioga, onde estavam todos felizes e descontraídos, com seus trajes de passeio começou a ressurgir magicamente oitenta e poucos anos depois.
As personalidades irradiando nos olhares, gestos, posturas corporais.
Então quando já não estava só aqui em meu escritório mas também lá em Bertioga, em companhia de minha família, com o corpo, mente e espírito em locais distintos mas unos, uma linda canção que não conhecia começou a soar dentro de minha cabeça.
Nos fones de ouvido, o poeta docemente cantou:
“Longe, lá de longe,
De onde toda beleza do mundo se esconde,
Mande para ontem
Uma voz que se expanda
E suspenda esse instante.
Lá de longe...
Cante para hoje.”
A vida às vezes tem essas delicadezas.
Muitas vezes atravessei a noite lendo ou escrevendo e observando a cidade adormecer até que finalmente só restavam uma ou duas luzinhas em prédios distantes. Era uma sensação engraçada olhar para elas e sentir uma certa cumplicidade com aquelas criaturas que repartiam a insônia e a madrugada comigo.
Mas aqui no sertão, no meio da Mata Atlântica não se sente a presença humana. Somente alguma coruja se manifesta na escuridão absoluta da floresta, os sapos ensaiam seu coro ou algum cão late ao longe.
Em uma madrugada assim, sentei-me para trabalhar algumas imagens. Resolvi escanear antigas fotos de família e restaurá-las digitalmente.
Fones no ouvido e comecei o trabalho ouvindo música.
Com apenas uma fraca luz indireta de um abajur a tela do computador recebe toda concentração.
As imagens de quase um século começaram a surgir ampliadas, bem maiores do que em sua cópia no papel amarelado.
Fotos da década de vinte.
Bisavôs mais novos do eu estou agora,me sorriam. Avós mocinhas, enamoradas no início de seus casamentos. Tias de que só me recordo já idosas, primas que nunca conheci. Amigos da casa, todos desaparecidos no passado.
Os traços da família passeando nos narizes, nos sorrisos, nas bocas e olhares até chegarem a meus pais a mim e minhas irmãs.
Uma vez quando tinha uns dezoito anos comecei a folhear um álbum de retratos e tive um sentimento tão forte que pensei que quando fosse idoso não poderia mais olhar fotografias pois não suportaria a emoção.
Não sonhava ainda em me tornar fotógrafo, mas nessa madrugada recente em total solidão e concentração, frente a frente com aqueles rostos todos iluminados por uma luz prisioneira de um tempo irremediavelmente perdido e no entanto vivo, senti uma emoção parecida com a de meus dezoito anos.
Um pic-nic em Bertioga, onde estavam todos felizes e descontraídos, com seus trajes de passeio começou a ressurgir magicamente oitenta e poucos anos depois.
As personalidades irradiando nos olhares, gestos, posturas corporais.
Então quando já não estava só aqui em meu escritório mas também lá em Bertioga, em companhia de minha família, com o corpo, mente e espírito em locais distintos mas unos, uma linda canção que não conhecia começou a soar dentro de minha cabeça.
Nos fones de ouvido, o poeta docemente cantou:
“Longe, lá de longe,
De onde toda beleza do mundo se esconde,
Mande para ontem
Uma voz que se expanda
E suspenda esse instante.
Lá de longe...
Cante para hoje.”
A vida às vezes tem essas delicadezas.
segunda-feira, 17 de dezembro de 2007
Portfólio Natureza & Paisagem

Convido voces a visitarem meu outro blog Vi Vendo & Litoral e Mata Atlântica, que serve como um portfólio para minhas imagens de Natureza e Paisagem feitas durante estes quase dez anos em que mudei-me para Camburi na cidade de São Sebastião.
A foto acima é de uma antiga garagem de canoas que hoje não existe mais, na Praia de Paúba. Veio abaixo em uma tempestade mas vive neste cromo que tem a cara do litoral idílico que conhecemos em outras épocas. A quatro anos fotografo digitalmente. Relutei, como muitos, em passar para essa tecnologia que hoje adoro. Esta é uma imagem do tempo em que tinha que viajar mais de quatrocentos kms para revelar meus cromos.Agora acumulamos a função de fotógrafo e laboratorista, o trabalho dobrou, mas é bom ter o controle quase total do processo fotográfico. Escolher um bom laboratório é o passo final para se ter a imagem que desejamos.
O link do blog está aí ao lado.
sábado, 8 de dezembro de 2007
Diana Krall, domingo no parque!

O show de Diana Krall no Parque Villa Lobos no domingo passado, acompanhada de seu espetacular quarteto foi um desses dias para não esquecer. Um daqueles concertos que trinta anos depois relembramos junto aos amigos, com saudades.
O parque lotado de um público educado que deu a liga artista-platéia, fundamental para qualquer bom espetáculo. A banda Mantiqueira fêz a abertura, com o som de alta qualidade que vem apresentando a tantos anos. Uma das grandes formações intrumentais do Brasil.
Diana Krall -

Fã a muitos anos de Diana Krall, resolvi pedir para uns amigos uma credencial para fotografar seu show. A vontade de fotografá-la, ter imagens suas feitas por mim, venceu a de curtir o show como ouvinte, coisa que nunca fiz. Perdi suas outras apresentações em São Paulo em outros anos.
Uma coisa é sentar concentrado para curtir esse quarteto da pesada outra é fotografar. No segundo caso a concentração está totalmente em conseguir as imagens, a parte da audição cai para menos de vinte por cento, pelo menos no meu caso.
Cheguei cedo no início do show da Banda Mantiqueira, mas o parque já estava muito lotado, inclusive os assentos vips. E na rua lugar para estacionar era super difícil. Tudo tomado nos quarteiroões ao redor. Como um paulistano agradeci a Deus quando avistei uma vaguinha.
Na sala de imprensa e convidados, um café da manhã de hotel cinco estrêlas, mas me limitei a tomar um café e levar um copo de água para a frente do palco, pois se entrasse nos sucos a vontade de fazer um xixi na hora do show ia ser um tormento. O lance era aproveitar que cheguei antes para me posicionar bem em frente ao palco.
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